Se você pesquisou energia solar há alguns anos e está retomando o assunto agora, precisa saber que as regras mudaram. A Lei 14.300/2022 estabeleceu o marco legal da geração distribuída no Brasil e alterou a forma como a energia injetada na rede é compensada.
Isso não torna o investimento ruim. Mas torna obsoleta qualquer simulação feita com as regras antigas, e muda a forma correta de avaliar uma proposta.
O que é o Fio B
Quando um sistema fotovoltaico gera mais do que a unidade consome naquele momento, o excedente vai para a rede da distribuidora e volta como crédito. Esse vai e vem só é possível porque a rede existe e é mantida.
O Fio B é justamente a parcela da tarifa que remunera essa infraestrutura de distribuição. Antes da lei, a energia injetada era compensada integralmente. Com a lei, passou a haver cobrança gradual dessa parcela sobre a energia injetada, com percentual crescente ao longo de um período de transição.
Em 2026 esse percentual chegou a 60% para os sistemas conectados a partir de 2023, e segue aumentando nos anos seguintes conforme o cronograma da transição.
O efeito prático no retorno
Análises do setor apontam que o tempo médio de retorno do investimento aumentou com a nova regra, saindo de algo próximo de 3,8 anos para perto de 4,5 anos nas principais capitais brasileiras.
Continua sendo um retorno atrativo para a maior parte dos consumidores, especialmente em regiões de tarifa mais alta. Mas é um número diferente do que se divulgava antes, e proposta que ainda usa o cenário antigo está prometendo o que não vai entregar.
Por que a conta não zera
Essa é a expectativa mais comum e a que mais gera frustração. Mesmo com um sistema que gere toda a energia consumida, a conta não chega a zero, por dois motivos:
- Custo de disponibilidade. Toda unidade consumidora conectada paga um valor mínimo mensal, equivalente a 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. Isso remunera a disponibilidade da rede e permanece mesmo com geração própria.
- Fio B sobre a energia injetada, conforme explicado acima.
O que o sistema fotovoltaico faz é reduzir a maior parte da conta, não eliminá-la. Qualquer proposta que prometa conta zerada está desinformando.
Como avaliar uma proposta hoje
Três perguntas separam uma proposta séria de uma otimista demais:
- A simulação considera o Fio B no percentual atual e sua evolução? Se o cálculo foi feito como se não houvesse cobrança, o retorno apresentado está subestimado em prazo.
- O custo de disponibilidade aparece na projeção? Ele existe todo mês, pelo tempo que a unidade estiver conectada.
- O dimensionamento considera as perdas reais de operação? Potência de catálogo é medida em condição de ensaio a 25 °C. Em telhado exposto ao sol, a temperatura de célula sobe bastante e a geração real fica abaixo da nominal. Projeto que ignora isso superestima a economia.
O que continua valendo a pena
Mesmo com as mudanças, a lógica econômica se mantém onde a tarifa é alta: cada quilowatt-hora que você deixa de comprar da distribuidora vale o preço cheio daquela tarifa. Quanto mais cara a energia na sua região, mais rápido o sistema se paga.
A diferença é que hoje a conta precisa ser feita com as regras atuais, e não com as de alguns anos atrás.
A Soberana Engenharia dimensiona sistemas fotovoltaicos a partir do consumo real da unidade, considerando as regras vigentes de compensação e as condições de operação locais, com engenheiro responsável e homologação junto à distribuidora. Envie sua conta de luz para uma simulação.