Quem instalou ou pretende instalar energia solar no Amazonas precisa saber de uma mudança importante: a Âmbar Energia assumiu a distribuição de energia no estado em abril de 2026, sucedendo a Amazonas Energia. Com a troca, formulários e procedimentos de conexão foram atualizados, e muito material que circula na internet ficou desatualizado da noite para o dia.
Este guia reúne como o processo funciona hoje, para quem vai conectar um sistema fotovoltaico em Manaus ou no interior do estado.
Microgeração ou minigeração: em qual faixa você está
A primeira definição é a potência do sistema, porque ela muda o tratamento do processo:
- Microgeração distribuída: até 75 kW de potência instalada
- Minigeração distribuída: acima de 75 kW e até 5 MW
A grande maioria dos sistemas residenciais e de comércios de pequeno e médio porte fica na faixa de microgeração. Indústrias, grandes condomínios e usinas de autoconsumo remoto costumam cair em minigeração, onde a análise é mais exigente.
As etapas do processo na Âmbar Energia
O fluxo atual de conexão segue cinco etapas:
- Solicitação de orçamento de conexão. É aqui que o projeto entra para análise da distribuidora, pela Agência Virtual.
- Aprovação do projeto. A distribuidora analisa o material e aprova ou devolve com exigências.
- Instalação do sistema. A execução física acontece depois da aprovação, não antes.
- Solicitação de vistoria. Com o sistema instalado, pede-se a vistoria da distribuidora.
- Aprovação e troca de medidor. Aprovada a vistoria, o medidor é substituído quando necessário e o sistema passa a compensar energia.
O ponto que mais gera frustração é a ordem. Quem instala primeiro e pede aprovação depois corre o risco de precisar refazer parte da obra, porque o sistema executado precisa corresponder ao que foi aprovado.
Documentos e formulários exigidos
A documentação atual inclui, entre outros itens:
- Solicitação de Orçamento de Conexão de Micro e Minigeração Distribuída (formulário DCA.F.065)
- Formulário de Cadastro junto à ANEEL
- Cadastro de Unidade no Sistema de Compensação (formulário DCA.F.051)
- Projeto elétrico com ART do responsável técnico, diagrama unifilar, memorial descritivo e dados técnicos de módulos e inversores
Além dos formulários, a distribuidora aplica suas normas técnicas de conexão de acessantes, que trazem o Anexo I com o formulário de solicitação de acesso e exigências específicas para baixa e média tensão.
Prazos
Para usinas de até 75 kW, a distribuidora passou a informar um prazo total de conexão de 34 dias, reduzido em relação ao prazo anterior. É um avanço relevante, mas vale observar que esse prazo conta a partir de uma solicitação corretamente instruída. Processo devolvido por exigência reinicia a contagem na prática.
Os créditos de energia gerados têm validade de 60 meses.
O que mais trava a homologação
Na prática, a maioria dos processos que atrasa não atrasa por culpa da distribuidora. Atrasa por documentação incompleta ou projeto incompatível com o que foi instalado. Os pontos mais comuns:
- Projeto sem ART recolhida, ou ART com atividade divergente do serviço
- Diagrama unifilar que não corresponde ao que está instalado em campo
- Dados de módulo ou inversor diferentes dos equipamentos efetivamente usados
- Padrão de entrada inadequado para a potência pretendida
- Dimensionamento feito pela potência de catálogo, sem considerar as perdas reais de operação
Esse último merece atenção especial no Amazonas. O módulo fotovoltaico é ensaiado a 25 °C e perde potência conforme a temperatura da célula sobe. Em telhado exposto ao sol de Manaus, a temperatura de célula ultrapassa com facilidade os 55 °C. Um projeto que ignora isso entrega um sistema que gera menos do que foi prometido na proposta, e o cliente só percebe na primeira conta depois de ligado.
Lei 14.300 e o impacto no retorno
Desde a Lei 14.300/2022, os sistemas conectados passaram a pagar gradualmente pelo uso da rede sobre a energia injetada, o chamado Fio B. Esse percentual tem subido ano a ano, o que alongou o tempo de retorno do investimento em relação ao cenário anterior.
Isso não inviabiliza o investimento, sobretudo em uma região onde a tarifa está acima da média nacional. Mas significa que simulações antigas, feitas com as regras anteriores, não refletem mais a realidade. Desconfie de proposta que promete conta zerada.
Quem pode assinar o projeto
O projeto de conexão exige responsável técnico habilitado, com ART recolhida para a atividade. Não é documento que o instalador resolve sozinho, e a distribuidora verifica isso na análise.
Resumindo
Homologar energia solar no Amazonas em 2026 exige atenção a três coisas: usar os formulários atuais da Âmbar Energia, respeitar a ordem das etapas (aprovar antes de instalar) e entregar um projeto que corresponda exatamente ao que será executado, assinado por responsável técnico.
A Soberana Engenharia projeta, instala e conduz a homologação de sistemas fotovoltaicos junto à Âmbar Energia, em Manaus e no interior do Amazonas, com engenheiro responsável e ART. Se você quer saber quanto o seu consumo permite economizar, envie sua conta de luz e fazemos a simulação.